quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Gestão visual para apoiar o trabalho padrão das lideranças


O papel da liderança é fundamental para a sustentação da transformação lean. Mas como a liderança lean deve se comportar? Quais mudanças na maneira de trabalhar dos líderes devem ser feitas? Como sair do modo atual de apagar incêndios para uma situação em que as lideranças estão efetivamente envolvidas na melhoria do desempenho do negócio e no desenvolvimento das pessoas?

Uma das ferramentas mais importantes de apoio ao trabalho da liderança lean é a Gestão Visual. A Gestão Visual permite a todos saberem como andam as coisas, sem precisar perguntar a ninguém ou ligar um único computador.

Podemos definir Gestão Visual como um sistema de planejamento, controle e melhoria contínua que integra ferramentas visuais simples que possibilitam que se entenda, através de uma rápida “olhada”, a situação atual e que apóia o trabalho padrão da liderança para garantir a aderência dos processos aos padrões e viabilizar as melhorias permanentes.

A Gestão Visual deve permitir que todos possam ver e entender a mesma coisa, tornando a situação transparente, ajudando a focalizar nos processos e não nas pessoas, além de priorizar o que realmente é necessário. Deve fornecer informação que gere ações no ponto da comunicação. E ainda, deve ser mantido pelos que realmente fazem o trabalho, que devem ser os primeiros a perceber as anormalidades. E finalmente deve ser conectada aos objetivos do negócio.

Muita gente confunde Gestão Visual com “poluição visual”, ou seja, a disposição de uma diversidade de informações históricas em quadros e painéis expostos como papel de parede. Isso é totalmente diferente do que definimos por Gestão Visual que deve possibilitar entender e enxergar as anormalidades o mais próximo possível do local e momento em que acontecem e saber o que está sendo feito para corrigi-las.

Quando falamos de Gestão Visual, nos referimos ainda aos métodos e práticas que permitem realizar o “genchi genbutsu”, o “vá ver diretamente no local onde as coisas realmente acontecem com os seus próprios olhos”. Lembramos da diferença essencial entre fatos (o mundo real) e dados (informações provenientes da realidade). A Gestão Visual ajuda a entender os fatos.

Mas o que a liderança vai ver no “gemba”, o local onde as coisas realmente acontecem? Trabalho padrão da liderança consiste em engajar-se em atividades repetitivas que são projetadas para identificar situações anormais tais como trabalho fora do padrão, estoques fora do padrão, níveis de entrega fora do padrão, custos fora do padrão, nível de acidentes fora do padrão etc. E com isso identificar os “gaps” e desvios e estabelecer as ações corretivas.

Mas como as lideranças devem fazer isso? Através de caminhadas pelo “gemba”, cuidadosamente projetadas para revisar as ferramentas fundamentais da Gestão Visual.

Em cada um destes níveis, desde os lideres de equipes e supervisores até gerentes e diretores. há ferramentas especificas de gestão visual que devem ser olhadas nestas caminhadas.

Por exemplo, em uma fábrica pode-se acompanhar o quadro horário de produção (QAP) para saber se há atrasos e quais os problemas. O líder da equipe a cada hora, o supervisor a cada meio dia, o gerente diariamente e o diretor semanalmente. Pode se ter um quadro geral que mostre os principais indicadores como qualidade, 5S, custos etc. básico para todos, em local de fácil acesso a todos. Ou ainda, podem existir Andon para acionar a cadeia de ajuda, fundamental para os lideres das equipes e supervisores.

Em áreas administrativas a Gestão Visual é igualmente importante. Por exemplo, a área de Compras pode expor a chegada de materiais, a colocação de pedidos, a existência de atrasos, estoques de matérias primas acima ou abaixo do padrão estabelecido, uma avaliação semana do desempenho dos fornecedores em entrega, colocada em local adequado etc.

Mas não devemos esquecer o estilo diferente que a liderança lean requer. A Gestão Visual não é a forma pela qual a liderança exerce um controle mais próximo e forte ou gerencia no nível micro. Mas o “vá ver” permite ao líder lean realizar o seu papel na cadeia de ajuda, ou seja, contribuir para que as pessoas entendam e resolvam os problemas reais.

Uma caminhada pelo “gemba” sem uma Gestão Visual adequada torna-se evento festivo com os tapinhas nas costas dados de “lideres populistas” ou então um evento para apontar os dedos para os “culpados” e buscar responsáveis, feito por “lideres autoritários tradicionais”. A caminhada pelo “gemba” torna-se assim puro teatro, ora uma comédia onde as pessoas se divertem, ora como filme de terror quando as pessoas ficam amedrontadas e intimidadas.

Como o líder lean efetivamente pode ajudar, além do discurso muitas vezes vazio do “líder servidor”? Se o líder não sabe o que olhar e enxergar, o que concluir da situação, não ajudar as pessoas na busca das causas raiz, não é capaz de ajudar. Os lideres devem desenvolver as pessoas e organizações para melhorar continuamente. O que eles/elas dizem ou fazem orienta os comportamentos, por exemplo, para esconder ou expor problemas. A caminhada pelo “gemba” torna-se assim um elemento essencial para o líder lean exercer seu papel.

O papel do líder lean, em seu trabalho diário de resolver problemas, realizar o planejamento, implementar melhorias e desenvolver pessoas deve ser apoiado por uma Gestão Visual adequada. A Gestão Visual deve ajudar a mudar comportamentos e contribuir para transformar o papel e estilo da liderança.

José Roberto Ferro

Presidente

Lean Institute Brasil

José Roberto Ferro é Presidente e Fundador do Lean Institute Brasil e Diretor Executivo da Lean Global Network. O Lean Institute Brasil é uma instituição de educação e pesquisa, sem fins lucrativos, dedicada à disseminação do "Lean Thinking", filosofia operacional e de negócios baseada no Sistema de Produção Toyota.

Nos últimos dois anos visitou 12 países com o intuito de criar uma rede global de entidades e instituições semelhantes, articuladas ao Lean Enterprise Institute nos EUA.

Natural de São Carlos-SP, onde cursou Engenharia de Produção pela USP local, é Mestre e Doutor em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e foi professor de diversos estabelecimentos de ensino como FGV-SP, Unicamp e UFSCar.

Autor de capítulo das versões em Português dos livros "A Máquina que Mudou o Mundo" de Womack, Jones e Roos e "Mentalidade Enxuta nas Empresas" de Womack e Jones, publicados pela Editora Campus.

Coordenador local do International Motor Vehicle Program IMVP - Massachusetts Institute of Technology – MIT.

Escreveu diversos artigos e capítulos de livros em Português e em Inglês para jornais acadêmicos, congressos internacionais, jornais especializados em negócios etc. Foi consultor de governos e empresas privadas

www.lean.org.br


Especialista aponta 10 erros que matam a produtividade no trabalho


Atitudes simples podem resolver os problemas fazendo o trabalho render mais

Apesar do planejamento bem feito e das muitas horas de trabalho diário, o tempo nunca parece ser suficiente para muita gente. O consultor Christian Barbosa, especialista em administração de tempo, lista abaixo os 10 "ladrões de produtividade" e dá dicas de como lidar com eles:

|Veja também

As regras têm de ser claras

Por que trabalhamos tanto

|Últimas notícias

12:55 | Dieese: custo de vida em SP subiu 4,05% em 2009

12:46 | Airbus tem produção recorde, mas entrega de A380 cai

12:45 | EUA têm déficit comercial de US$ 36,4 bi em novembro

12:45 | FGV: período de deflação nos índices de preços acabou

12:44 | China eleva compulsório para combater inflação

+ Todas as notícias


1 E-mail Ficar com e-mail aberto o dia todo faz o nível de interrupções ficar intolerável, aumenta a ansiedade e a sensação de atividades por fazer. O consultor recomenda definir períodos para lidar com as mensagens, deixando a caixa de entrada fechada no restante do tempo.


2 Não ter clareza sobre o que fazer O que você precisa fazer primeiro? Você sabe pelo menos 80% do que deve ser feito em um dia de trabalho? Segundo Barbosa, se você não souber responder a essas perguntas, com certeza vai se perder em tarefas circunstanciais.


3 Estou em reunião Uma pesquisa feita pela empresa da qual Christian Barbosa é diretor, a Triad Consulting, demonstra que um terço das reuniões podem ser canceladas. O consultor recomenda: dieta de reuniões já! Quanto menos, melhor. Se tiver de fazer, seja objetivo, defina pontos de discussão e faça durar no máximo 2 horas.


4 Redes Sociais No ambiente de trabalho você usa Twitter, Facebook, Orkut? Ainda que sua empresa permita, controle a ansiedade de ficar conectado a essas redes enquanto desenvolve suas atividades. Utilize eventuais intervalos no dia ou o horário de almoço.


5 Falta de energia Você está cansado, sem pique e não consegue se concentrar? A falta de energia rouba muitas horas do dia e faz a pessoa surfar em atividades circunstanciais. Tenha hobbies, procure um médico e alimente-se em horários regulares.


6 Falta de foco Começa uma atividade e em pouco tempo salta para outra tarefas? Se a atividade for grande, tente dividi-la em pequenas partes. Feche qualquer outro software que não esteja usando, coloque o celular no silencioso e, se funcionar para você, ouça música.


7 Navegador cheio de favoritos Você abre seu navegador para entrar em um site, esbarra na lista de favoritos e começa a perambular por outros portais? Instale outro navegador e não importe os seus favoritos. No novo browser, com a lista de favoritos zerada, você perde a tentação de ficar navegando sem propósito.


8 Mensagens instantâneas Se em sua empresa é permitido usar MSN, gTalk, Wave, dentre outros, a regra é simples: está ocupado? Deixe seu status no modo invisível ou offline. Está tranquilo? Fique ausente ou ocupado. Está com tempo para conversar? Fique disponível.


9 Interrupções Se muita gente interrompe você, pode ser porque sua comunicação não anda muito adequada. Faça uma revisão de como redige os emails, concede informações e delega atividades.


10 Tarefas imprevistas, convites inesperados e favores Que tal falar não” de forma concreta, com base em planejamento e disponibilidade? Se muitas tarefas imprevistas surgem na sua rotina, é possível que o nível de planejamento não esteja adequado. Repare em quais dias da semana você tem mais imprevistos e utilize isso a seu favor.

http://blog.maistempo.com.br/

http://www.triadedotempo.com.br

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Criatividade antes do capital



Não é de hoje que as empresas estão em busca de mais produtividade. E é partir da redução de prazos e da eliminação de desperdícios que é possível alcançar os resultados esperados por companhias em todo o mundo. Quando aplicados de forma coordenada e planejada, o Six Sigma, metodologia de controle de qualidade, e os princípios do lean integram-se muito bem.

O LeanSigma® é uma estratégia de negócios que busca, incansavelmente, a redução dos prazos e a ausência da variação por toda a cadeia de valor, otimizando os recursos nos processos comerciais e de manufatura. O Lean usa Metodologia Kaizen, palavra japonesa traduzida como "melhoria contínua”. O Kaizen incorpora equipes de funções cruzadas para desenvolver e implementar mudanças que trazem resultados quase imediatos, em uma semana.

A força do Six Sigma está em sua capacidade de resolver problemas com base em fatos. Trata-se de uma metodologia flexível, que usa a coleta e a análise de dados para reduzir a variação, além de melhorar a qualidade, reduzindo os custos dos produtos e dos processos. Um típico projeto Six Sigma pode levar de oito a vinte meses. Por meio da integração dos dois programas, é possível capitalizar sobre os pontos fortes de ambos. Mas nem todas as empresas estão prontas para colocar sua casa em ordem, pois isso exige mudanças permanentes na maneira de dirigir os negócios. Um evento Kaizen inovador é um processo baseado em equipe, funções cruzadas, acertos rápidos e ação para um aprimoramento acelerado. Adote estes eventos todos os meses e a empresa criará uma cultura que valoriza a excelência operacional.

A experiência ao introduzir líderes em um evento kaizen pode ser chocante. Em uma semana, o evento tem como foco transformações físicas de um processo: o equipamento é movido e as mesas são realocadas. Além disto, etapas desnecessárias são eliminadas. Os membros da equipe são impulsionados a aprender na prática, testar suas idéias imediatamente e assumir riscos. A ênfase principal durante os eventos kaizen inovadores é a ação. Ao combinar a ação e o senso comum, sempre haverá progressos, mesmo se falhar. É a cultura do “Preparar-Atirar-Apontar”, em que o rápido e o bruto têm preferência sobre o lento e perfeito. E principalmente, se obtém novas oportunidades de melhoria após a tomada de decisão, a ação subsequente e a observação.

Esta nova cultura demonstra realizações em semanas, ou em uma semana, ou em alguns dias. Em vez de forçar os projetos para atender a cada contingência e problema possível, a nova cultura requer ação: fazer mudanças e observar. Isso funciona para quem fabrica produtos ou vende serviços, ou faz o trabalho de organizações sem fins lucrativos ou agências governamentais.

O contraste com a maneira antiga de fazer negócios não poderia ser mais claro. A maioria das empresas premia o sucesso, ignora a falta de ação e pune as falhas. Como resultado, são lentas, têm aversão a riscos e produzem melhorias limitadas e aleatórias. Estas companhias não suportarão a concorrência com empresas de lean, rápidas, ágeis e flexíveis, que existem ou existirão em seus mercados.

O primeiro evento inovador kaizen de que uma empresa participa, geralmente, é um divisor de águas para a organização. Os líderes seniores envolvidos na equipe — recomenda-se que um terço da equipe de liderança participe deste primeiro evento — presenciam o poder do processo. Eles vêem como isso energiza pessoas, estimula a criatividade, elimina o desperdício e melhora a produtividade. Os funcionários reconhecem o compromisso do pessoal da liderança com o processo e se sentem valorizados por suas contribuições. E todos os envolvidos no evento voltam com uma nova esperança para o futuro de sua empresa e para o trabalho que fazem.

Em nossas análises, identificamos que 95% do tempo em todos os processos é desperdiçado. Não importa qual é o processo: a maior parte do tempo utilizado não agrega valor. A meta é reduzir os processos aos seus valores principais, eliminar as etapas que não agregam valor e manter apenas aquelas que acrescentam valor para o negócio.

Ou seja, o mantra dos dias de hoje é criatividade antes do capital: resolver problemas simplesmente com os recursos existentes, solucioná-los rapidamente, aprender e aprimorar.

Anand Sharma é Presidente e CEO do TBM Consulting Group, Inc, umas das principais consultorias de produtividade do mundo.

As 5 Leis do LeanSigma


As 5 Leis do LeanSigma foram formuladas para orientar os esforços de melhoria. As leis são um conglomerado de idéias-chave do Seis Sigma e Lean.

Lei 0: A lei do mercado - crítico para qualidade do cliente define a qualidade e é a maior prioridade para a melhoria, seguido por ROIC (Return On Invested Capital) e valor presente líquido. Ela é chamada de lei zero, pois é a base sobre a qual as outras são criadas.

Lei 1: A Lei da Flexibilidade - A velocidade de qualquer processo é proporcional à flexibilidade do processo.

Lei 2: A Lei do Foco - 20% das atividades em um processo causam 80% dos atrasos. (Relacionado ao Princípio de Pareto)

Lei 3: A Lei da velocidade - A velocidade de qualquer processo é inversamente proporcional à quantidade de WIP.

Lei 4: A complexidade do serviço ou oferta de produto acrescenta mais valor não agregado, custos e WIP do que quaisquer outros problemas de processos tais como baixa qualidade (baixo nível Sigma) ou de baixa velocidade (processos não enxutos).

Os Dez Mandamentos do Kaizen



A todos que acreditam no Kaizen

DEZ MANDAMENTOS DO KAIZEN

1. O desperdício é o inimigo nº1. Para eliminá-lo é preciso sujar as mãos.

2. Melhorias graduais feitas continuadamente; não é ruptura pontual.

3. Todos na empresa têm de estar envolvidos, desde os gestores do topo e intermédios, até o pessoal de base; a metodologia não é elitista.

4. A estratégia deve ser barata. O aumento da produtividade deve ser feito sem investimentos significativos. Não se devem aplicar somas astronômicas em tecnologia.

5. Aplicar-se em qualquer lugar; não serve só para os japoneses.

6. Apoia-se numa gestão visual, numa total transparência de procedimentos, processos e valores; torna os problemas e os desperdícios visíveis aos olhos de todos.

7. Focaliza a atenção no local onde se cria realmente o valor ('gemba', em japonês).

8. Orienta-se para os processos.

9. Dá prioridade às pessoas, ao humanware; acredita que o esforço principal de melhoria deve vir de uma nova mentalidade e estilo de trabalho das pessoas (orientação pessoal para a qualidade, trabalho em equipe, cultivo da sabedoria, elevação da moral, autodisciplina, círculos de qualidade e prática de sugestões individuais ou de grupo).

10. O lema essencial da aprendizagem organizacional é aprender fazendo.